
Uma questão bastante relevante quando queremos mobilizar pessoas ou toda uma organização para uma transformação ou, simplesmente, quando necessitamos fazer algo que precisa do envolvimento e participação de outras pessoas ou áreas.
Essa questão se encaixa muito bem até mesmo no nosso núcleo familiar, quando desejamos que todos embarquem numa proposta ou decisão. Isso não é diferente numa organização. Todas as vezes que queremos propor algo que necessitará a participação de outras pessoas precisamos passar pela etapa do engajamento, caso contrário podemos não ter sucesso, já que as pessoas somente fazem algo quando sentem que foram envolvidas ou que fizeram parte da decisão e definição.
Portanto, essa arte deveria fazer parte do nosso dia-a-dia. Deveria ser ensinada e desenvolvida nas Universidades e Programas de Liderança. Afinal, estamos a todo instante contando com a participação de uma terceira pessoa nas nossas atividades diárias.
A arte do engajamento
Como devemos engajar as pessoas impactadas no primeiro momento?
Quando se trata de Jornadas de Transformação, que algo novo será implementado e deverá fazer parte da organização, seja de uma área ou de diversas, teremos que estar conscientes de que será fundamental desenhar uma estratégia de engajamento.
E essa estratégia, infelizmente, não está disponível nos livros e nem é ensinada de forma eficaz nas Universidades e cursos. Essa arte deveria fazer parte do menu de capacidades daqueles que promovem e conduzem as mudanças. É uma capacidade relacional, que consiste na habilidade de estabelecer com o outro, isto é, com aqueles que deverão formar parte do modelo futuro que será construído.
É essencial estabelecer uma estratégia. Entretanto, essa estratégia não nasce se as pessoas que estão liderando a Jornada da Transformação não possuírem a habilidade de criar relações de confiança com os demais. Por isso é que chamamos de “arte”. É preciso muita sensibilidade e “gosto” por fazer isso porque dá trabalho e muita energia será dedicada. Muita dedicação de tempo e estratégias para romper as resistências, compreender cada perfil e interesses dos envolvidos. Por isso, é importante sentir prazer em realizar essas atividades, caso contrário será frustrante e muito estressante.
A arte de engajar deveria fazer parte da rotina das áreas, pois em um fluxo de processo saudável e de excelência, não existe resultado sem o envolvimento e o engajamento das áreas. O conceito cliente-fornecedor está presente a cada etapa do processo, podendo ser: Contas a Pagar, Contas a Receber, Fechamento Contábil, Recrutamento & Seleção, Vendas e/ou Operação. Todos têm uma interdependência imensa um do outro. Não sabemos qual a principal causa da inexistência dessa sinergia natural, que deveria existir num fluxo de trabalho, pois o que observamos com frequência é a necessidade de fomentar, cada vez mais, o senso de compromisso entre as áreas. Algo que deveria ocorrer naturalmente e de forma espontânea. Enfim, qual seria a razão de isso não acontecer?

Por que razão está cada vez mais escasso o trabalho com colaboração que propicia engajamento e participação dos envolvidos?
Nós temos algumas pistas para as causas centrais, que talvez não respondam a todos os motivos. Mas arriscamos mencionar algumas mais identificadas nos Assessments que são feitos quando iniciamos nossos trabalhos de integração ou Jornadas de Transformação nas organizações:
- Perda de vínculo do indivíduo com a organização por diversos motivos, tais como: desalinhamento com a Identidade, com o líder direto, com o ambiente ou com diversos outros aspectos que geram “pontes” entre o indivíduo e a organização;
- Falta de perfis de líderes que valorizem a atuação conjunta e colaborativa;
- Falta de dedicação e prazer pela atividade que a pessoa realiza na organização;
- Egos gigantes, que tentam resolver os problemas de forma independente, esquecendo que é crucial o envolvimento dos demais;
- Pessoas cada vez mais centrada na sua própria atividade, sem a percepção da visão sistêmica (do todo);
- Falta de autonomia para propiciar um ambiente mais integrado e sinérgico daqueles que poderiam modificar o cenário;
- Desinteresse em aprender e se relacionar com o outro;
- Dentre outros que podemos apontar diante da percepção que obtemos ao realizar Diagnósticos Organizacionais
Devemos refletir sobre as causas para apoiar as organizações a atuarem de forma mais sinérgica e colaborativa, pois o engajamento é o pontapé para nortear esse modelo. No entanto, Deixamos de lado um pouco as causas existentes para compartilhar alguns caminhos e iniciativas que deveriam ser consideradas desde o início de uma Jornada de Transformação para sustentar a trajetória de forma que todos estejam envolvidos adequadamente.
Se esse percurso for bem-sucedido, talvez esse modelo de atuação, mais colaborativo e integrado, possa ser incorporado na cultura da empresa, devido ao fato das pessoas terem adquirido o hábito com prazer de uma abordagem mais inclusiva e participativa.
Ao darmos início à uma mudança, temos que ter em mente que sempre é algo novo aos envolvidos. Esse algo novo pode incluir:
- A Criação de uma nova área ou processo;
- Um novo modelo de trabalho;
- A exigência de novos comportamentos e atitudes;
- Um novo sistema que deverá mudar conceitos, procedimentos e formas de trabalhar;
- Um novo posicionamento da empresa que poderá alterar toda a estrutura e Identidade interna;
- E outros mais, presentes nos diferentes cenários das mudanças organizacionais.
Esse elemento novo requer, primeiramente, consciência por parte das pessoas dos benefícios, objetivos e ganhos. Também é fundamental mapear as pessoas que serão impactadas diretamente e preparar um evento de alinhamento inicial onde começa a primeira etapa do engajamento.

Como devemos engajar as pessoas impactadas no primeiro momento?
Para essa primeira comunicação ou evento é importante levar em conta:
- Um apelo inicial genuíno que mostre que, para alcançar os resultados esperados, será essencial a colaboração de todos;
- Um discurso sincero que reflita a realidade e o reforço dos motivadores para a mudança, gerando confiança e credibilidade;
- Uma linguagem objetiva, transparente e simples, permitindo que todos consigam compreender;
- Uma abordagem interativa que abra espaço para participação das pessoas, com o objetivo de esclarecer dúvidas;
- Um material curto, que contenha mais imagens do que textos extensos e cansativos;
- Um facilitador/líder que seja influente e reconhecido pela audiência.
Como parte dessa estratégia, sempre deve haver um Assessment, que envolva os principais Stakeholders, com o objetivo de obter suas percepções sobre o cenário atual e para que possa ser usado como principais impulsionadores da transformação, já que os feedbacks num Assessment inicial mostram claramente os pontos de melhora que devem ser considerados numa Jornada. O que for sinalizado, servirá na devolutiva para reforçar o que é preciso mudar. Quando uma área nova, por exemplo, passa por uma melhoria, é de suma importância escutar os Stakeholders das outras áreas e consolidar os resultados para compreender as “dores” as oportunidades de melhoria. Se nos resultados detectamos que há falta de engajamento e alinhamento entre as áreas, esse tema deverá ser prioridade, colocando-o como um pilar estratégico de sustentação da Jornada da Transformação.

Como fazer com que o engajamento seja uma capacidade incorporada na cultura da organização?
Talvez não seja possível atingir esse objetivo na totalidade. No entanto, o fato de propiciar uma Jornada que inclua a todos de forma natural e contínua, poderá ajudar a incorporar uma nova atitude que faça parte do dia-a-dia das pessoas e, quem sabe, seja disseminada na cultura das áreas que estiveram envolvidas.
A arte de engajar depende muito de quem lidera a transformação ou do time que define e suporta o “como” essa Jornada será percorrida. As definições das iniciativas de engajamento podem assegurar que o envolvimento esteja presente. Não só o comunicado inicial e a estratégia são suficientes, mas também a atitude do dia-a-dia de cada membro, mostrando na prática como funciona uma atuação mais colaborativa e inclusiva.
Para encerrar esse artigo, deixamos as definições da palavra engajamento e algumas reflexões para que avalie o exercício do seu engajamento no dia-a-dia:
Engajamento é a relação de uma ou mais pessoas com uma causa. O engajamento pode ser entendido como:
O ato ou efeito de engajar. A palavra é a junção do verbo engajar + mento e tem origem etimológica do francês engager, que no português significa comprometer-se, empenhar ou contratar. Alguns sinônimos incluem:
acordo, contrato, pacto, comprometimento, compromisso, envolvimento, dedicação, satisfação e motivação.
Quanto você dedica de tempo e atenção ao tema do engajamento quando tem que realizar suas atividades profissionais? Como você engaja as pessoas das quais você necessita para executar suas atividades? Em momentos de mudança e transformação, quão hábil você se considera para engajar e gerar compromisso de um grupo de pessoas?
Reflita sobre o significado da palavra e os resultados que um bom processo de engajamento pode ter no sucesso do seu trabalho. Afinal, nós sempre precisamos dos demais para realizar um trabalho, entregar um Projeto ou cumprir com os objetivos organizacionais.