
Passar por mudanças e transformações nas nossas vidas quase sempre trazem e deixam alguns efeitos e resultados no nosso ser. Mesmo aquelas pessoas que não estão conscientes disso, durante o período de mudança ou logo após o seu término, sentirão estes efeitos de alguma maneira, em algum momento. Afinal, a vida é uma jornada recheada de situações e experiências, cuja finalidade essencial é despertar e fomentar o nosso desenvolvimento como seres humanos. Entendendo desta maneira, vamos explorar um pouco sobre as Jornadas que ocorrem no universo das organizações e como elas refletem nos profissionais envolvidos para trazer luz a alguns cuidados e iniciativas que podem ser incluídas nas soluções das Jornadas de mudança e transformação das empresas, atuando como facilitadores focados no desenvolvimento humano e organizacional.
Quando uma Jornada de mudança e transformação se inicia nas organizações, é muito comum identificar e declarar o propósito, definir o patrocinador, gerar planos de comunicação, capacitação e impactos e apontar os benefícios para minimizar os potenciais medos e prováveis ruídos que serão desencadeados nas pessoas. Entretanto, poucas empresas se preocupam e se dedicam a 2 pontos essenciais, que consistem em:
- Criar processos que visam identificar o estágio de maturidade em que a empresa (pessoas) se encontra no início da Jornada para poder medir e comparar no seu término;
- Estabelecer canais eficazes com os profissionais impactados para minimizar e compreender as diversas manifestações que são desencadeadas nestes cenários, bem como conscientizar sobre as possibilidades de desenvolvimento.
Desenvolvimento humano e organizacional.
Mensurando o desenvolvimento proveniente das Jornadas de Mudança e Transformação.
A medição do estágio de maturidade é fundamental para desenhar a melhor solução e também para identificar os fatores de desenvolvimento que foram incorporados e instalados nos profissionais após a Jornada e, como consequência, na empresa. Diversos eventos ocorrem durante uma Jornada, que podem ser tangíveis ou intangíveis, percebidos ou não pelos profissionais, entretanto uma coisa é certa, eles estão acontecendo a cada momento, a cada nova interação, a cada acontecimento inesperado, a cada conhecimento e conceito adquirido no percurso e a cada desafio enfrentado. A Jornada por si só já brinda um mundo de possibilidades de desenvolvimento, especialmente se vista e percebida com abertura e flexibilidade pelos envolvidos.
É óbvio que o mais comum é que as Jornadas gerem medos devido às incertezas que, muitas vezes, despertam inicialmente, mas se as equipes responsáveis pela condução investirem no segundo ponto mencionado acima – iniciativas que permitam a abertura de canais eficazes junto aos afetados – conseguirá transformar o medo em oportunidade de desenvolvimento, levando a organização a novos patamares de maturidade. Mitigar, ou melhor, ressignificar o medo será um diferencial, pois se ele se mantiver presente por muito tempo, poderá desencadear reações negativas e nocivas que serão desaguadas nos ambientes, inviabilizando o desenvolvimento e emperrando as Jornadas.
Criando e estabelecendo estes canais eficazes, bem como incluindo na solução um mecanismo para mensurar o nível de maturidade, contribuirá para tornar as Jornadas mais produtivas com relação aos processos de desenvolvimento. Através dos canais, haverá maior abertura junto aos impactados, estimulando a troca e o compartilhamento dos sentimentos. A partir da mensuração do estágio de maturidade, terá a chance de identificar aqueles fatores que foram desenvolvidos, quando comparados no momento final da Jornada e atuar sobre aqueles que necessitam maior atenção.
Entendemos como canais eficazes qualquer iniciativa individual ou coletiva que “dê voz” às pessoas. Na nossa abordagem nomeamos estes canais de o “lóbulo direito” da Jornada, isto é, todas as atividades e iniciativas que apoiam os indivíduos que serão impactados, com foco em conscientização e autoconhecimento.
Ao mecanismo de mensurar o estágio de maturidade organizacional, chamamos de MPE – Mensuração do Potencial Evolutivo – em que é possível medir o nível de maturidade da empresa, sob alguns aspectos tangíveis e intangíveis, para auxiliar no desenho das soluções que serão propostas para suportar a Jornada de mudança, bem como mensurá-los.

Como podemos mensurar o desenvolvimento proveniente das Jornadas de mudança e transformação?
Não é possível mensurar todos os fatores de desenvolvimento que são desencadeados durante uma Jornada, primeiro porque dependerá do grau de abertura de cada pessoa envolvida e, segundo porque muitos destes fatores são intangíveis, no entanto é possível perceber os resultados que eles gerarão no âmbito do tangível da empresa no médio e longo prazo.
Compartilhamos alguns fatores que podem ser incluídos nesta medição: modelo de gestão, planejamento e objetivo estratégico, relações internas e externas, comportamentos, conhecimentos, autoconhecimento, dentre outros. Cada fator possui uma série de itens relacionados que devem ser investigados e analisados. Esta medição deve ser feita inicialmente, através de abordagens quantitativa e qualitativa, podendo ser ajustadas dependendo da empresa e do desafio da Jornada. Quase sempre são feitas entrevistas individuais e grupos focais com os envolvidos para apurar a percepção do cenário, comparando ao final da Jornada, quando se realiza uma nova investigação sob os mesmos fatores.
O MPE ajuda a obter um entendimento do estágio em que se encontra a empresa no início da sua Jornada, sob a perspectiva da maturidade, que tem relação direta com os fatores de desenvolvimento. Diante desta percepção, se torna mais fácil vislumbrar o plano e a solução adequada para a Jornada.

Embora mensurar seja significativo e relevante para a empresa, o valioso do processo de desenvolvimento é torná-lo consciente aos envolvidos, permitindo que percebam os ganhos de evolução que obtiveram ao vivenciar Jornadas de mudança. Perceber a gama de novos conhecimentos, comportamentos e atitudes que adquiriram durante e após a Jornada será essencial, mais do que quantificá-los. Os benefícios serão notórios quando estes desenvolvimentos forem aplicados e incorporados na vida pessoal e profissional. Para a organização, os efeitos serão imediatos, pois terá na sua estrutura profissionais mais qualificados, desenvolvidos, conscientes e maduros.
O desafio da equipe responsável por conduzir a Jornada na empresa será o de mostrar aos envolvidos os valiosos benefícios que levarão para suas vidas ao participarem e vivenciarem as transformações, de maneira consciente. Deverão criar processos e implementar iniciativas que convertam o medo em aliado, para reforçar aos envolvidos que, somente a partir de experimentos e vivências, podemos nos desenvolver e adquirir mais sensibilidade e maturidade. Além disso, deverão construir pontes sólidas, pois estas Jornadas, muitas vezes, trazem mudanças drásticas que podem levar a desligamentos e rupturas significativas na atividade profissional.
Para concluir este artigo, colocamos uma questão para refletir, especialmente para aqueles que passaram ou estão passando por Jornadas de mudança e transformação no âmbito profissional: Será que você está reconhecendo as oportunidades que as Jornadas pelas quais tem passado no âmbito profissional contribuíram ou estão contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e profissional?
Para aqueles que estão dedicados a conduzir e liderar as Jornadas, deixamos uma outra pergunta provocativa: No desenho da solução, que tem por objetivo suportar a Jornada, estão sendo inseridas iniciativas para fomentar o processo de desenvolvimento dos envolvidos e da organização?